quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

(Notinhas de gaveta)

Aquela palavra refletiu no meu peito em zilhões de cores. E qualquer sentimento ficou pequeno pra ela. Era preciso classificar um sentimento diferente, para cada batimento cardíaco.
Talvez se eu os classificasse por notas, teria assim uma canção.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Monocromático.

Numa quarta feira de chuva, ele concluiu.
O amor é um sentimento supervalorizado.
Talvez pela frieza daquela quarta feira, se percebeu frio por dentro. No espelho se viu cinza. Tudo se misturava no cinza, pele, peito, olhos. A cidade era cinza também.
Pensou no filme preto e branco, que contava uma história de amor. Não convencia. Era inconcebível que no preto e branco houvesse lugar para mais uma cor.
Mais do que supervalorizado, o amor era inventado.
Então viveu assim! Preto no branco, submerso em cinza.
Orgulhoso da sua conclusão, recebia como um imponente anfitrião, cada gota da chuva.
Mas bem lá no fundo, implorava por um arco-íris.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Os poetas marginais.

Cansados estão os poetas, com seus já gastos sentimentos.
De verso em rima se esvaziaram, empalideceram. Buscam na marginalidade algum alimento emotivo, roubado nos prazeres alheios.
Na Praça Chico Mendes, ele está sentado entre mendigos e pombos, na camuflagem do sub-existencialismo, à espreita de um sentimento desavisado.
Se descuida por um segundo, baixa a guarda e é roubado por uma criança. Ela rouba-lhe num olhar. Ela toma sua malandragem. Mas em troca, lhe dá inocência.
As crianças são assim, dividem na ignorância da poesia.