Estamos em maio. E nesse ano eu já fui Regan MacNeil, Piper Chapman, já fui Jack Nicholson e Winona Ryder. Tive tanta saudade de ser Mariana, que precisei gritar e gritar, até conseguir me chamar de volta. Até que eu me ouvi. E eu tinha tanta coisa pra contar, que não dei conta de, sozinha, me dedicar toda a atenção que precisei.
Algo óbvio, que esclareci a mim mesma: Eu não estava sozinha. Ou melhor, nunca precisei estar.
Nós construímos nossa própria realidade nos baseando no que parece mais cômodo acreditar. Assim alimentamos nossas metas, nossos sonhos, nossa auto-estima, nossos medos, nossas crenças, nossas torturas. Estamos em maio, e nesse ano me pareceu mais cômodo fantasiar quem eu sou.
Estamos apenas em maio, e já aprendi tanto comigo mesma! Ainda há muito o que aprender. Descobri que tenho vários talentos e muita vontade de olhar com carinho para cada um deles.
Descobri que tenho um namorado maravilhoso, e amigos que sentiram saudades da Mariana tanto quanto eu. Dia após dia eles me lembram quem eu sou.
Descobri também que apesar da minha família já não ser mais volumosa e barulhenta como antes, ela ainda está tão próxima e tão cheia de amor, como nunca deixou de ser. E eu os amo, como nunca deixei de amar. Mas a Mariana não ama com saudade, e sim com gratidão, pois numa família tão especial como essa, a distância é um simples detalhe geográfico.
Quantas saudades eu senti nesse ano... mas ainda estamos em maio! Temos o resto do ano pra curtir nossa companhia, eu e a Mariana. Tornaremos inesquecível o ano em que eu fiz as pazes com a minha melhor amiga.
sábado, 17 de maio de 2014
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Quando choveu.
As palhetas de parabrisa trabalhavam pesado no trânsito da Avenida Paulista. Quem estava atrasado, se maquiava. Quem estava disposto a molhar o braço, fumava. E quem estava nervoso, xingava com os vidros fechados, xingava pra si mesmo.
Protegida na varandinha do casebre, Dona Antônia admirava chover bonito no laranjal. Sem pressa, delineou com o indicador a forma de uma nuvem. Sem reparar nos sapatos molhados, deixou que a água gostosa molhasse sua mão. E sempre com os olhos chovendo saudades, recitou cantigas da infância. Recitou pra si mesma.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Bem-Bom.
Prefere uma serenata de amor ou um sonho de valsa?
Se escolher a primeira, componho uma linda canção. Escalo muro, jogo pedrinhas na janela. Te acordo numa madrugada cintilante, com rima, verso e melodia.
Mas se sonhas com uma valsa, então visto o mais belo vestido! Me enfeito com flores e lantejoulas. E te acompanho em seus passinhos ritmados, no mesmo compasso do meu coração.
Se escolher a primeira, componho uma linda canção. Escalo muro, jogo pedrinhas na janela. Te acordo numa madrugada cintilante, com rima, verso e melodia.
Mas se sonhas com uma valsa, então visto o mais belo vestido! Me enfeito com flores e lantejoulas. E te acompanho em seus passinhos ritmados, no mesmo compasso do meu coração.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Breu
Dentro da sua cabeça fantasiam-se milhares de nomes, de dores, de datas. De contos e números fazem-se nós. De trechos obscuros fazem-se o breu. E eu te ilumino.
Te puxo prá fora do seu mundo. Vamos trocar os móveis? Sua fantasia já criou bolor.
Então você volta à velha poltrona colonial. Fecha as portas, as janelas. Passa a chave.
Do lado de fora do seu universo imaginário, a te sinalizar com uma lanterna em código morse, eu tento te iluminar.
Mas você já faz parte da mobília.
Te puxo prá fora do seu mundo. Vamos trocar os móveis? Sua fantasia já criou bolor.
Então você volta à velha poltrona colonial. Fecha as portas, as janelas. Passa a chave.
Do lado de fora do seu universo imaginário, a te sinalizar com uma lanterna em código morse, eu tento te iluminar.
Mas você já faz parte da mobília.
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