sábado, 17 de maio de 2014

Para uma velha amiga.

Estamos em maio. E nesse ano eu já fui Regan MacNeil, Piper Chapman, já fui Jack Nicholson e Winona Ryder. Tive tanta saudade de ser Mariana, que precisei gritar e gritar, até conseguir me chamar de volta. Até que eu me ouvi. E eu tinha tanta coisa pra contar, que não dei conta de, sozinha, me dedicar toda a atenção que precisei.
Algo óbvio, que esclareci a mim mesma: Eu não estava sozinha. Ou melhor, nunca precisei estar.

Nós construímos nossa própria realidade nos baseando no que parece mais cômodo acreditar. Assim alimentamos nossas metas, nossos sonhos, nossa auto-estima, nossos medos, nossas crenças, nossas torturas. Estamos em maio, e nesse ano me pareceu mais cômodo fantasiar quem eu sou.

Estamos apenas em maio, e já aprendi tanto comigo mesma! Ainda há muito o que aprender. Descobri que tenho vários talentos e muita vontade de olhar com carinho para cada um deles.
Descobri que tenho um namorado maravilhoso, e amigos que sentiram saudades da Mariana tanto quanto eu. Dia após dia eles me lembram quem eu sou.
Descobri também que apesar da minha família já não ser mais volumosa e barulhenta como antes, ela ainda está tão próxima e tão cheia de amor, como nunca deixou de ser. E eu os amo, como nunca deixei de amar. Mas a Mariana não ama com saudade, e sim com gratidão, pois numa família tão especial como essa, a distância é um simples detalhe geográfico.

Quantas saudades eu senti nesse ano... mas ainda estamos em maio! Temos o resto do ano pra curtir nossa companhia, eu e a Mariana. Tornaremos inesquecível o ano em que eu fiz as pazes com a minha melhor amiga.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Quando choveu.

As palhetas de parabrisa trabalhavam pesado no trânsito da Avenida Paulista. Quem estava atrasado, se maquiava. Quem estava disposto a molhar o braço, fumava. E quem estava nervoso, xingava com os vidros fechados, xingava pra si mesmo.
Protegida na varandinha do casebre, Dona Antônia admirava chover bonito no laranjal. Sem pressa, delineou com o indicador a forma de uma nuvem. Sem reparar nos sapatos molhados, deixou que a água gostosa molhasse sua mão. E sempre com os olhos chovendo saudades, recitou cantigas da infância. Recitou pra si mesma.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Bem-Bom.

Prefere uma serenata de amor ou um sonho de valsa?
Se escolher a primeira, componho uma linda canção. Escalo muro, jogo pedrinhas na janela. Te acordo numa madrugada cintilante, com rima, verso e melodia.
Mas se sonhas com uma valsa, então visto o mais belo vestido! Me enfeito com flores e lantejoulas. E te acompanho em seus passinhos ritmados, no mesmo compasso do meu coração.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Breu

Dentro da sua cabeça fantasiam-se milhares de nomes, de dores, de datas. De contos e números fazem-se nós. De trechos obscuros fazem-se o breu. E eu te ilumino.
Te puxo prá fora do seu mundo. Vamos trocar os móveis? Sua fantasia já criou bolor.
Então você volta à velha poltrona colonial. Fecha as portas, as janelas. Passa a chave.
Do lado de fora do seu universo imaginário, a te sinalizar com uma lanterna em código morse, eu tento te iluminar.
Mas você já faz parte da mobília.