terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Quando choveu.

As palhetas de parabrisa trabalhavam pesado no trânsito da Avenida Paulista. Quem estava atrasado, se maquiava. Quem estava disposto a molhar o braço, fumava. E quem estava nervoso, xingava com os vidros fechados, xingava pra si mesmo.
Protegida na varandinha do casebre, Dona Antônia admirava chover bonito no laranjal. Sem pressa, delineou com o indicador a forma de uma nuvem. Sem reparar nos sapatos molhados, deixou que a água gostosa molhasse sua mão. E sempre com os olhos chovendo saudades, recitou cantigas da infância. Recitou pra si mesma.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Bem-Bom.

Prefere uma serenata de amor ou um sonho de valsa?
Se escolher a primeira, componho uma linda canção. Escalo muro, jogo pedrinhas na janela. Te acordo numa madrugada cintilante, com rima, verso e melodia.
Mas se sonhas com uma valsa, então visto o mais belo vestido! Me enfeito com flores e lantejoulas. E te acompanho em seus passinhos ritmados, no mesmo compasso do meu coração.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Breu

Dentro da sua cabeça fantasiam-se milhares de nomes, de dores, de datas. De contos e números fazem-se nós. De trechos obscuros fazem-se o breu. E eu te ilumino.
Te puxo prá fora do seu mundo. Vamos trocar os móveis? Sua fantasia já criou bolor.
Então você volta à velha poltrona colonial. Fecha as portas, as janelas. Passa a chave.
Do lado de fora do seu universo imaginário, a te sinalizar com uma lanterna em código morse, eu tento te iluminar.
Mas você já faz parte da mobília.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

(Notinhas de gaveta)

Aquela palavra refletiu no meu peito em zilhões de cores. E qualquer sentimento ficou pequeno pra ela. Era preciso classificar um sentimento diferente, para cada batimento cardíaco.
Talvez se eu os classificasse por notas, teria assim uma canção.