Protegida na varandinha do casebre, Dona Antônia admirava chover bonito no laranjal. Sem pressa, delineou com o indicador a forma de uma nuvem. Sem reparar nos sapatos molhados, deixou que a água gostosa molhasse sua mão. E sempre com os olhos chovendo saudades, recitou cantigas da infância. Recitou pra si mesma.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Quando choveu.
As palhetas de parabrisa trabalhavam pesado no trânsito da Avenida Paulista. Quem estava atrasado, se maquiava. Quem estava disposto a molhar o braço, fumava. E quem estava nervoso, xingava com os vidros fechados, xingava pra si mesmo.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Bem-Bom.
Prefere uma serenata de amor ou um sonho de valsa?
Se escolher a primeira, componho uma linda canção. Escalo muro, jogo pedrinhas na janela. Te acordo numa madrugada cintilante, com rima, verso e melodia.
Mas se sonhas com uma valsa, então visto o mais belo vestido! Me enfeito com flores e lantejoulas. E te acompanho em seus passinhos ritmados, no mesmo compasso do meu coração.
Se escolher a primeira, componho uma linda canção. Escalo muro, jogo pedrinhas na janela. Te acordo numa madrugada cintilante, com rima, verso e melodia.
Mas se sonhas com uma valsa, então visto o mais belo vestido! Me enfeito com flores e lantejoulas. E te acompanho em seus passinhos ritmados, no mesmo compasso do meu coração.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Breu
Dentro da sua cabeça fantasiam-se milhares de nomes, de dores, de datas. De contos e números fazem-se nós. De trechos obscuros fazem-se o breu. E eu te ilumino.
Te puxo prá fora do seu mundo. Vamos trocar os móveis? Sua fantasia já criou bolor.
Então você volta à velha poltrona colonial. Fecha as portas, as janelas. Passa a chave.
Do lado de fora do seu universo imaginário, a te sinalizar com uma lanterna em código morse, eu tento te iluminar.
Mas você já faz parte da mobília.
Te puxo prá fora do seu mundo. Vamos trocar os móveis? Sua fantasia já criou bolor.
Então você volta à velha poltrona colonial. Fecha as portas, as janelas. Passa a chave.
Do lado de fora do seu universo imaginário, a te sinalizar com uma lanterna em código morse, eu tento te iluminar.
Mas você já faz parte da mobília.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
(Notinhas de gaveta)
Aquela palavra refletiu no meu peito em zilhões de cores. E qualquer sentimento ficou pequeno pra ela. Era preciso classificar um sentimento diferente, para cada batimento cardíaco.
Talvez se eu os classificasse por notas, teria assim uma canção.
Talvez se eu os classificasse por notas, teria assim uma canção.
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