segunda-feira, 18 de abril de 2011

Leve


"Leve a vida leve,
Como a vida deve ser.
Leve de ultraleve,
ou de balão e sem correr.
Pois a vida com pressa
não chega nem acontecer."

Ilustração: Mari Lacanna / Texto: Viny Citrus

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Estudo de cena.

Comeu a última jujuba (laranja) e foi trabalhar.
Estava em clima de festa, de sapato amarelo e Tim Maia no MP3.
Subiu dançando as escadas, e dançando abraçou a copeira. Quis postar algum trecho de música pop 80’s no seu Twitter, que mostrasse a todo mundo como estava feliz – quis até anexar uma foto do seu sorriso maior do mundo! Mas aí já seria meio over.
Bom dias sonoros, abraços de graça, podia distribuir sorrisos aos baldes, pois sabia que nessa sexta-feira eles eram infinitos, se multiplicando proporcionalmente ao aumento da sua ansiedade por aquela noite que chegava... parecia faltar zilhões de horas pra ela chegar, mas chegaria, e essa certeza a fazia aumentar o som do Tim Maia, os batimentos cardíacos e a respiração. Juntinhos!
Engraçado como o corpo inteiro ensaia pra uma noite que promete ser um espetáculo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Em branco.

De repente não quis mais ficar sozinho. “E se escorrego no banho, bato a cabeça na saboneteira, e ninguém tá aqui pra me escutar?”
Se arrepiou com o silêncio assustador daquela casa, cinco dormitórios – sendo duas suítes, que acabara de pagar com dez cheques mágicos, que compravam felicidade. Sua liberdade de agora assistir em sua enorme TV de plasma seu BOX de temporada do House. Sozinho.
As paredes parecem brancas de mais, um branco que asfixia vai tomando toda a casa. Mas quem continua reinando é o silêncio.
Um sopro da cozinha, um vulto na TV, e agora era como se a piscina transbordasse e invadisse a sala de estar.
Pegou o telefone e discou os números que nunca esqueceu: casa dos pais da ex-namorada. Casou-se, quer anotar seu novo número?
E todo espaço que ele sempre quis, se fechou a vácuo. Seus pés perderam o chão, venceram a gravidade.
Comprou um cachorro.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A Lomografia e Eu - parte 5

Minha última "experiência lomográfica" foi tão bosta, que só tenho coragem de postar 1 foto.
Que o próximo filme seja queimado com mais talento!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Receita de família.

A dor densa custa a diluir na panela.
A receita é até que simples: uma parte de dor para três de felicidade. A dor se diluirá facilmente, numa mistura homogênea, cor de alegria.
Mas - olha só que traquinagem da vida - bastou eu me descuidar que logo desandou minha receita. Despejou uma nova dose de dor, na mistura agora intragável!
No mercado, "A felicidade tá em falta, dona."

*Que a felicidade chegue logo ao mercado, em forma de boas notícias, em conforto para a minha família, e em saúde e paz para o meu querido tio Henrique. Que juntos diluiremos, mais uma vez, essa imensa dor.